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Além de fazer diversos trabalhos, o problema de todo universitário é ter que formatar tudo para as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Para resolver essa questão, a startup curitibana Menthor desenvolveu um editor de textos para facilitar a vida dos estudantes.

A plataforma é online e totalmente gratuita. O objetivo é formatar textos acadêmicos de acordo com as normas da ABNT. Nesta primeira versão, é possível baixar um arquivo do Word após o cadastro e preenchimento de dados. A versão completa ainda não está finalizada.

ferramenta tem a aparência de um documento do Word. Uma das vantagens de se usar o Menthor está na organização automática em ordem alfabética e na formatação dos dados de acordo com as regras da ABNT.

O usuário deve inserir os dados do trabalho que possui e, na medida em que for os campos forem completados, um preview aparecerá. Os campos se atualizam em tempo real, com isso, o usuário obtém um retorno imediato do que ocorre, sem deixá-lo perdido em momento algum.

Fonte: https://bhaz.com.br/2017/06/08/ferramenta-gratuita-abnt/

Ultrassom é o termo usado para vibrações com altas frequências as quais o ouvido humano é incapaz de ouvir. O limite superior de frequência para o ouvido humano é de 20kHz ou 20.000 vibrações por segundo. Alguns cristais, naturais ou artificiais, podem ser induzidos por forças mecânicas ou campos elétricos a vibrar em frequências superiores, gerando assim ultrassons. Esses cristais são chamados piezelétricos e este efeito foi descoberto pelos pesquisadores Pierre e Jacques Curie em 1880. Uma das primeiras aplicações das ondas ultrassonorase, consequentemente, dos materiais piezelétricos, foram nos sonares, onde um pulso de ultrassom é emitido através do efeito piezelétrico e as ondas refletidas, formadas pelo encontro com uma superfície, são registradas e decodificadas para permitir análises qualitativas e quantitativas. Outra importante aplicação dos ultrassons está na medicina, complementando a utilização de aparelhos de raios-x, já que ultrassom permite a visualização de órgãos, enquanto raios-x geram imagens de objetos rígidos como os ossos.

Essa publicação busca caracterizar o setor de florestas nativas no país e trazer subsídios para análise de sua importância para a economia brasileira e regional e dos desafios a serem vencidos na busca pela sustentabilidade e pelo aumento da competitividade industrial.

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José Tadeu Arantes  |  Agência FAPESP 

 

De 4,8 a 12,7 bilhões de quilos de plástico são lançados anualmente nos oceanos. Mantida a tendência, a quantidade deverá decuplicar por volta de 2025. É o que revelou um estudo publicado na revista Science em 2015, com dados de 2010.

Um dos fatores que fazem com que os plásticos sejam tão utilizados é justamente aquele que mais contribui para sua ameaça ao meio ambiente: a resistência à degradação. Ao ser descartada, uma garrafa PET (polietileno tereftalato) pode permanecer no meio ambiente por 800 anos.

Com tudo isso, é fácil entender o grande interesse suscitado pela descoberta de uma enzima capaz de digerir o polietileno tereftalato. E a enzima, denominada PETase, acaba de ter sua capacidade de degradar o plástico incrementada. A novidade foi descrita em artigo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS).

Dois pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (IQ-Unicamp) participaram da pesquisa, em colaboração com pesquisadores do Reino Unido (University of Portsmouth) e dos Estados Unidos (National Renewable Energy Laboratory). São o pós-doutorando Rodrigo Leandro Silveira e seu supervisor, o professor titular e pró-reitor de Pesquisa da Unicamp Munir Salomão Skaf.

A participação foi apoiada pela FAPESP por meio de Bolsa de Pós-Doutorado e de Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior concedidas a Silveira e do Centro de Pesquisa em Engenharia e Ciências Computacionais, coordenado por Skaf e um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) mantidos pela Fundação.

“Usado principalmente na fabricação de garrafas de bebidas, o polietileno tereftalato é também muito empregado na confecção de roupas, tapetes e outros objetos. Em nossa pesquisa, caracterizamos a estrutura tridimensional da enzima capaz de digerir esse plástico, a engenheiramos, aumentando seu poder de degradação, e demonstramos que ela é também ativa em polietileno-2,5-furanodicarboxilato (PEF), um substituto do PET fabricado a partir de matérias-primas renováveis”, disse Silveira à Agência FAPESP.

O interesse pela PETase surgiu em 2016, quando um grupo de pesquisadores japoneses, tendo à frente Shosuke Yoshida, identificou uma nova espécie de bactéria, Ideonella sakaiensis, capaz de usar o polietileno tereftalato como fonte de carbono e energia – em outras palavras, capaz de se alimentar de PET. Trata-se, até hoje, do único organismo conhecido com essa capacidade. Ele, literalmente, cresce sobre o PET.

“Além de identificar a Ideonella sakaiensis, os japoneses descobriram que ela produzia duas enzimas que são secretadas para o meio ambiente. Uma das enzimas secretadas era justamente a PETase. Por ter certo grau de cristalinidade, o PET é um polímero muito difícil de ser degradado. Usamos tecnicamente o termo ‘recalcitrância’ para nomear a propriedade que certos polímeros muito empacotados possuem de resistir à degradação. O PET é um deles. Mas a PETase o ataca e o decompõe em pequenas unidades – o ácido mono(2-hidroxietil)tereftálico (MHET). As unidades de MHET são então convertidas em ácido tereftálico e absorvidas e metabolizadas pela bactéria”, disse Silveira.

Todos os seres vivos conhecidos utilizam biomoléculas para sobreviver. Todos menos a Ideonella sakaiensis, que consegue utilizar uma molécula sintética, fabricada pelo ser humano. Isso significa que tal bactéria é resultado de um processo evolutivo muito recente, ocorrido ao longo das últimas décadas. Ela conseguiu se adaptar a um polímero que foi desenvolvido no início dos anos 1940 e só começou a ser utilizado em escala industrial nos anos 1970. Para isso, a PETase é a peça-chave.

“A PETase faz a parte mais difícil, que é romper a estrutura cristalina e despolimerizar o PET em MHET. O trabalho da segunda enzima, que transforma MHET em ácido tereftálico, já é bem mais simples, uma vez que seu substrato é formado por monômeros aos quais a enzima tem fácil acesso por estarem dispersos no meio reacional. Por isso, os estudos se concentraram na PETase”, disse Silveira.

A etapa seguinte foi estudar detalhadamente a PETase e nisso consistiu a contribuição da nova pesquisa. “Nosso foco foi descobrir o que conferia à PETase a capacidade de fazer algo que as demais enzimas não eram capazes de fazer com muita eficiência. Para isso, o primeiro passo foi obter a estrutura tridimensional dessa proteína”, disse.

“Obter a estrutura tridimensional significa descobrir as coordenadas x, y e z de cada um dos milhares de átomos que constituem a macromolécula. Nossos colegas britânicos fizeram esse trabalho por meio de uma técnica bastante conhecida e utilizada, chamada difração de raio X. Eles se serviram de um laboratório muito parecido com o Sirius, que está sendo construído em Campinas”, explicou.

Enzima modificada se liga melhor ao polímero

Obtida a estrutura tridimensional, os pesquisadores começaram a comparar a PETase com proteínas aparentadas. A mais parecida é uma cutinase da bactéria Thermobifida fusca, que degrada a cutina, uma espécie de verniz natural que recobre as folhas das plantas. Certos microrganismos patogênicos utilizam cutinases para romper a barreira de cutina e se apropriar dos nutrientes presentes nas folhas.

“Verificamos que, na região da enzima onde ocorrem as reações químicas, o chamado ‘sítio ativo’, a PETase apresentava algumas diferenças em relação à cutinase. Ela possui um sítio ativo mais aberto. Por meio de simulações computacionais – e essa foi a parte em que mais contribuí –, pudemos estudar os movimentos moleculares da enzima. Enquanto a estrutura cristalográfica, obtida por difração de raio X, fornece informações estáticas, as simulações possibilitam ter informações dinâmicas, e descobrir o papel específico de cada aminoácido no processo de degradação do PET”, explicou o pesquisador do IQ-Unicamp.

A física dos movimentos da molécula resulta das atrações e repulsões eletrostáticas do enorme conjunto de átomos e da temperatura. As simulações computacionais permitiram entender melhor como a PETase se liga e interage com o PET.

“Descobrimos que a PETase e a cutinase têm dois aminoácidos diferentes no sítio ativo. Por meio de procedimentos de biologia molecular, produzimos então mutações na PETase, com o objetivo de transformá-la em cutinase”, disse Silveira.

“Se conseguíssemos fazer isso, mostraríamos por que a PETase é PETase, isto é, saberíamos quais são os componentes que lhe conferem a propriedade tão peculiar de degradar o PET. Mas, para nossa surpresa, ao tentar suprimir a atividade peculiar da PETase, isto é, ao tentar transformar a PETase em cutinase, produzimos uma PETase ainda mais ativa. Buscávamos reduzir a atividade e, em vez disso, a aumentamos”, disse.

Isso demandou novos estudos computacionais, para entender por que a PETase mutante era melhor do que PETase original. Com a modelagem e as simulações, foi possível perceber que as alterações produzidas na PETase favorecem o acoplamento da enzima com o substrato.

A enzima modificada se liga melhor ao polímero. Esse acoplamento depende de fatores geométricos, ou seja, do encaixe do tipo “chave e fechadura” entre as duas moléculas. Mas também de fatores termodinâmicos, ou seja, das interações entre os diversos componentes da enzima e do polímero. A maneira elegante de descrever isso é dizer que a PETase modificada apresenta “maior afinidade” pelo substrato.

Em termos de uma futura aplicação prática, de obter um ingrediente capaz de degradar toneladas de lixo plástico, o estudo foi um enorme sucesso. Mas a pergunta sobre o que faz a PETase ser uma PETase continua sem resposta.

“A cutinase possui os aminoácidos a e b. A PETase possui os aminoácidos x e y. Imaginamos que, trocando x e y por a e b, conseguiríamos transformar a PETase em cutinase. Em vez disso, produzimos uma PETase melhorada. Em outras palavras, não são os dois aminoácidos a explicação para o comportamento diferencial das duas enzimas. É outra coisa”, disse Silveira.

Evolução em curso

A cutinase é uma enzima antiga, enquanto a PETase é uma enzima moderna, resultante da pressão evolutiva que possibilitou à Ideonella sakaiensis se adaptar a um meio que contém apenas ou principalmente polietileno tereftalato como fonte de carbono e energia.

Dentre as muitas bactérias incapazes de utilizar esse polímero, alguma mutação gerou uma espécie que conseguiu fazê-lo. Essa bactéria começou a se reproduzir e crescer muito mais do que as outras porque tinha alimento à vontade. Com isso, ela se desenvolveu. Ao menos essa é a explicação fornecida pela teoria evolucionista padrão.

“O fato de termos conseguido uma enzima melhor fazendo uma pequena alteração sugere fortemente que essa evolução ainda não foi completada. Ainda há novas possibilidades evolutivas a serem compreendidas e exploradas, com vistas à obtenção de enzimas ainda mais eficientes. A PETase melhorada não é o fim do caminho. É apenas o começo”, disse Silveira.

Com vistas à aplicação, o próximo passo é passar da escala de laboratório para a industrial. Para isso, outros estudos, relacionados com engenharia de reatores, otimização dos processos e diminuição de custos serão necessários.

O artigo Characterization and engineering of a plastic-degrading aromatic polyesterase (doi: https://doi.org/10.1073/pnas.1718804115), de Harry P. Austin, Rodrigo L. Silveira, Munir S. Skaf e outros, está publicado em www.pnas.org/content/early/2018/04/16/1718804115.

 

Fonte: http://agencia.fapesp.br/pesquisa_melhora_enzima_que_degrada_plastico/27651/

O efeito piezelétrico foi descoberto por Pierre[1] e Jacques[2] Curie em 1880. Os dois pesquisadores realizaram um experimento que consistiu em cortar uma lâmina cristalina de quartzo e, em seguida, aplicar cargas mecânicas nas duas faces opostas dessa lâmina, inúmeras vezes. Após a aplicação das forças, observava-se o aparecimento de cargas elétricas; uma face positiva e outra negativa na lâmina. Ao aplicarem esforços mecânicos diferentes chegaram à conclusão de que o grau de “eletrificação” ou de separação de cargas era proporcional à intensidade dos esforços mecânicos aplicados. Diversos são os materiais que produzem o efeito piezelétrico entre eles o quartzo, a turmalina e compostos como sulfato de lítio, titanato de bário, metaniobato de chumbo e o zirconato-titanato de chumbo. O quartzo é um material que, apesar de muito resistente, química e mecanicamente, apresenta baixa eficiência piezelétrica. Outros materiais, como o sulfato de lítio, são menos resistentes mecanicamente, no entanto são mais eficientes em termos piezelétricos.

  1. Lippmann[3] deduziu, teoricamente, um ano após a descoberta do efeito piezelétrico que o mesmo deveria possuir um fenômeno inverso ou recíproco. Segundo sua teoria, ao aplicar cargas elétricas positivas e negativas nas faces opostas da lâmina cristalina, estas deveriam produzir uma deformação no cristal, semelhante à deformação promovida, inicialmente, nos experimentos realizados pelos Curie. Com o objetivo de validar a teoria de Lippmann, Pierre e Jacques Curie realizaram novos testes comprovando a reversibilidade do efeito.

O efeito piezelétrico deve-se a uma assimetria imposta à estrutura cristalina por ação dos esforços ou campos elétricos aplicados. A escolha da direção de corte das placas cristalinas, por exemplo de quartzo, (constituído por íons de silício e oxigênio) é determinante para a produção do efeito piezelétrico. O material precisa ser cortado segundo determinados eixos para que as deformações sejam provocadas segundo direções que facilitem o deslocamento dos íons. A importância do corte segundo eixos adequados deve-se ao caráter anisotrópico desses materiais, ou seja, à variação das propriedades físicas com a direção escolhida. Esta deformação faz deslocar os íons de silício e oxigênio (no caso do quartzo) de forma que passa a existir um excesso de cargas positivas ou negativas em uma das superfícies e de sinal contrário na outra superfície, polarizando a placa de quartzo e criando uma diferença de potencial entre as duas superfícies. Conforme deduzido por Lippmann e comprovado pelos Curie, o efeito é reversível e ocorre ao aplicar uma tensão que provoca um deslocamento de íons em relação a outros, o que acarreta uma deformação da placa.

A aplicação de uma tensão alternada ao cristal permite uma deformação igualmente alternada com uma frequência igual àquela da tensão elétrica aplicada. Isso originará estados de tração e compressão na placa (vibração), o que é necessário para a produção de ultrassons. Deformações em direções diferentes daquela de interesse também ocorrem, permitindo o aparecimento simultâneo de modos de vibração diferentes, que, em geral, busca-se anular. Os ultrassons têm ampla utilização em áreas como a Engenharia de Materiais e a Medicina.

No caso da Engenharia a microestrutura de vários materiais tem sido extensivamente estudada utilizando-se técnicas baseadas no comportamento de ondas e vibrações mecânicas de alta frequência (ultrassons)www.spectrum-engenharia.com/loja. As ondas ultrassônicas podem ser usadas na investigação e inspeção da microestrutura de materiais atendendo às perspectivas das comunidades acadêmicas e industrial. Desenvolvimentos recentes, tanto nas técnicas de medição quanto na compreensão dos mecanismos de interação das ondas ultrassonoras com a matéria, têm demonstrado, claramente, o grande alcance do método quando aplicado ao estudo de propriedades físicas dos sólidos de interesse para especialistas do ramo “materiais”.

 

[1]Pierre Curie nasceu em Paris, França,  no dia 15 de maio de 1859 e faleceu na mesma cidade em 19 de abril de 1906. Foi um físico pioneiro no estudo da cristalografia, magnetismo, piezeletricidade e radioatividade. Ganhou o prêmio Nobel da Física em 1903, juntamente com sua esposa Marie Curie, pelos seus estudos sobre a radioatividade.

 

[2]Jacques Curie físico francês nascido em Paris no dia 28 de outubro de 1855 e faleceu em Montpellier, França, em 19 de fevereiro de 1941. Foi professor de mineralogia na Universidade de Montpellier e irmão de Pierre Curie, com quem desenvolveu os estudos a respeito da piezeletricidade.

 

[3]Gabriel Lippmann físico nascido em Bonnevoie, Luxemburgo,em 16 de agosto de 1845. O pesquisador recebeu o prêmio Nobel de Física em 1908 pelo seu método de reprodução fotográfica em cores com base no fenômeno de interferência. Lippmann faleceu em 13 de julho de 1921 aos 75 anos de idade.


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